Quando comecei a desenvolver o projeto do DIAS, há 10 anos, um dos meus principais objetivos era mudar essa imagem de Belém (sempre mostrada como uma cidade pequena, e não a metrópole que ela já é desde o início do século XX). Lembro de falar com o Lito, que era o diretor de fotografia, que eu não queria que aparecesse nenhuma árvore, principalmente uma mangueira. Era um conceito que meio colou em mim, como cineasta urbano, quando, no entanto, sempre repito que quero contar histórias, se elas forem na cidade, serei urbano, assim como serei qualquer outra definição aonde a história dos meus personagens me levar.
Agora em Matinta, algumas pessoas se surpreenderam que eu quisesse fazer uma história mais “interiorana”, uma lenda. Alguns disseram que estaria perdendo minha “principal característica”.
Acho muito bom que as locações tenham ficado dentro do município de Belém, uma Belém super real, mas que não paramos tanto para pensar ou para olhar para ela. A riqueza de ter um parque ambiental como o Utinga, ou de poder contar com uma ilha de praias de água doce como Mosqueiro, eu já acho um grande privilégio. Gosto de pensar que estaria mostrando outro olhar sobre Belém, que está do nosso lado, mas que também não percebemos.

Mosqueiro: para sentar e apreciar

Utinga: Flores para uma outra Belém