Eu sempre falo que a parte da montagem do filme é a hora da verdade. Tudo que se planejou, pensou, ensaiou, suou para ser feito, às vezes, pode ficar excelente, ou ir por água abaixo. Em cinema se faz tudo separado e depois se coloca tudo junto, nisso que se chama montagem. O detalhe é que as imagens, planos, sequencias, quando colocadas lado-a-lado produzem novas reações, novos significados. Existem muitas teorias para esse fenômeno e não é o caso focar nisso agora, mas que é uma coisa muito interessante e misteriosa, isso é.
É por tudo isso que eu gosto muito da montagem, acho o processo criativo intríseco do cinema (ou do vídeo), é algo que só pertence a essa arte. Há pouco mais de duas semanas, começamos a montagem do MATINTA. No início, apenas um processo de preparação do material, sincronizar som e imagem, separar cenas, tudo feito pelos nossos montadores Atini Pinheiro e Rennan Rosa.
Desde ontem começei a pegar mais firme na montagem, tirar uma imagem aqui e acolá, mas ainda de maneira bem leve. Gosto muito do estou vendo, acho que temos em mãos um filme forte, com boas atuações e uma linguagem visual interessante. No entanto, me preocupo com o tempo dele, durante as filmagens fizemos muitos planos sequências bem longos, e seria uma pena perdê-los por conta de tempo. Sendo nosso formato final um curta, acho que não podemos estourar os 20 minutos, e já estamos bem à frente disso, mas tudo ainda é um pequeno começo de um filme que sempre tem crescido mais do que eu imaginava.
Em breve quero colocar alguma coisa mais concreta para vocês possam assistir, quem sabe até um trecho do filme, abração.
Fernando Segtowick